Ao sair do cinema depois de ter assistido o filme Linha de Passe de Walter Salles, encontrei um amigo, que comentou que estava insatisfeito com o filme por considerá-lo uma sucessão de clichês. Não pude concordar, apesar de apreciar seu costumeiro “bom-senso crítico”, avalio que este filme realmente merece toda a atenção dispensada pelo público e a mídia até agora.
O que mais me agrada no cinema de Salles é justamente sua capacidade de passear por potenciais clichês revelando histórias de uma forma poética. Os temas se transformam através timing, roteiro, fotografia, direção de atores e algo mais de seus filmes. Assim, o que poderia se tornar desgastante acaba envolvendo, excitando e conquistando.
Esta constatação me leva a outra reflexão: “Por que temos tanto medo dos clichês?” Serão eles são ou não um reflexo indesejado do que somos. Será também que temos sempre que ser, na arte e na vida, imprevisíveis, inesperados, “alternativos”. A vaidade de ser “in”, muito além do desejo do novo.
Duvido que alguém nunca tenha se deliciado com um bom e velho clichê. Eu já... e você?
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